Eu e a outra


Principal / quinta-feira, 22 de setembro, 2016
aquarela - ilustração de mulher nua de costas
Ilustração de Helen Ström

Outro dia uma amiga estava dizendo no facebook que era muito mais difícil ser positiva com relação ao próprio corpo do que com relação ao corpo alheio. Que se uma amiga ganhasse peso, ela ainda a acharia linda e incrível e f**a-se o mundo, mas que com ela mesma, chega ao nível da repulsa física.

Acho que acontece com muitas de nós. Certamente já aconteceu comigo. E de vez em quando ainda acontece.

Por mais que a gente aprenda a ver beleza para além dos padrões, é muito difícil aplicar esses conceitos à gente mesma. Certamente se cercar de imagens de positividade corporal é algo que ajuda. Se cercar de gente positiva com relação ao próprio corpo e ao corpo alheio, e se afastar de quem é negativo, também é importante, apesar de não ser possível pra todo mundo (e se a pessoa negativa for nossa melhor amiga, uma amiga amorosa e presente, mas com esse problema? Uma pessoa que também precisa de apoio? E se for nossa própria mãe? É tão comum). Afirmações na frente do espelho, dizer pra si mesma que é bonita, mesmo que não acredite – fake it until you make it -, parecem ajudar algumas pessoas. Mas às vezes a gente faz tudo isso e o ódio de si mesma volta. Às vezes parece que está tudo bem, mas num dia ruim você se olha no espelho, vê aquela dobrinha do ângulo errado, e o seu dia acaba.

Eu não tenho uma solução.

Eu só posso insistir para que você se aceite. E se perdoe.

Estamos todas aprendendo, entendendo o que é amor próprio. O sentimento ruim não vai sumir de um dia pro outro. Se conscientizar dele é um passo. Devagar, a gente se aceita. E os dias ruins deixarão de ser “sempre” para serem “de vez em quando”, e daí pra “quase nunca”. E, quem sabe, “nunca”.

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