Empreendedora é a mãe


Principal / quinta-feira, 1 de setembro, 2016

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Empreendedorismo é uma palavra que está na moda. É um estilo de vida, é a salvação para a crise, é praticamente o sentido da vida, pelo que se vende. Teoricamente, em tendo meu próprio negócio, eu sou uma empreendedora.
Mas eu odeio ser “empreendedora”.

Não é que eu não goste do que faço. Não é que eu sonhe com CLT ou um concurso público. Eu gostaria, sim, de ter mais estabilidade na vida, e quem sabe férias remuneradas – quem não? Mas gosto demais da flexibilidade e do controle sobre a minha própria vida que o empreendedorismo me dá. O problema não é o empreendedorismo. O problema é essa religião que ele se tornou.

O empreendedorismo, ao que parece, não significa mais abrir um cnpj, procurar fornecedores, se virar do avesso se o produto encalhou, pagar funcionários e prestadores. Empreender se tornou auto-ajuda. Livros, artigos e cursos raramente te ensinam a controlar fluxo de caixa ou a vender melhor, mas te dizem para insistir, não desistir, ousar e “fazer diferente”, por que isso é a receita (percebe a contradição?) do sucesso.
Essa abordagem resulta em dois tipos de empreendedores: aqueles que metem os peitos seguindo todas as lições, e se lascam – mas acham que o problema deve estar neles, por que afinal, se você se dedicar de corpo e alma, você vai conseguir, dizem. E aqueles que não empreendem em coisa nenhuma, apenas absorvem, curso atrás de curso, artigos, podcasts e livros, hipnotizados pelas palavras carismáticas, esperando pela inspiração da startup que vai mudar as suas vidas para sempre.

Não é preciso ir longe para aprender algumas coisas importantes sobre ter o seu próprio negócio. É só falar com as mulheres que você conhece.
Algumas das lições mais valiosas para o pequeno empreendedor estão na mãe que perdeu o emprego e vai revender perfumes para as amigas. Aquela que quando o ex não paga a merreca da pensão vai vender bolo de pote na firma pra pagar o remédio dos filhos. A que vende Avon para poder levá-los para a praia no fim do ano, a que abriu um salão na garagem de casa para poder estar perto das crianças. Talvez falte a parte da inovação. Mas as lições importantes – inspiração, persistência, lidar com as dificuldades, o fator humano, trabalhar duro, estão ali.

Ah, aprenda também a controlar fluxo de caixa. Você vai precisar.

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