Compaixão é pra todo mundo. Inclusive pra você mesma.


Principal / quinta-feira, 11 de agosto, 2016

Sua melhor amiga perdeu o emprego, seu companheiro ou companheira não conseguiram passar no concurso que tanto queriam, a namorada do seu irmão terminou com ele. Como você age com eles? Provavelmente dá apoio, palavras amigas, os escuta, oferece ajuda. E quando é com você? Como você age consigo mesma? O que você pensou da última vez que alguma dessas coisas aconteceu com você?

Posso estar enganada, mas provavelmente você se sentiu culpada. Sentiu que deveria ter feito diferente, que errou, duvidou da sua capacidade. Talvez tenha se sentido burra, incompetente, uma pessoa péssima. Se não, você não precisa continuar lendo este texto. Se sim, eu quero te dar um abraço.

tsuru (origami de garça)

Compaixão é uma coisa boa. Acho que todos concordamos que dar a mão a quem está sofrendo é bom não só para quem está sofrendo, mas para nós mesmas. E quando somos nós que estamos sofrendo? Por que somos tão exigentes?

Ter compaixão por si mesma não é ter autopiedade. Não é egoísmo, nem viver sem se impor limites. Pense numa criança que trouxe pela primeira vez uma nota vermelha para casa: se o pai ou a mãe apenas gritam e castigam, o estímulo para que ela estude mais só vai durar enquanto o medo durar; cedo ou tarde, se o estímulo do medo não persistir (e uma quantidade imensa de energia é gasta nisso, fora o sofrimento que causa na criança e nos próprios pais) ela vai simplesmente desistir. A criança só vai ter um estímulo duradouro se ele vier com amor: está tudo bem, você é uma boa pessoa, todo mundo erra. Você vai tentar de novo, se esforçando mais, e de novo, e mais uma vez. Você vai aprender. Estamos aqui para você.

Esteja aí para você mesma. É só isso. Você não precisa de palavras duras ecoando pela sua cabeça; se você falhou, já teve sua cota de sofrimento e punição vindas de fora, não precisa de mais vindo de dentro. Está tudo bem. Você é humana e pode falhar, e também pode consertar seus erros e tentar de novo. Está tudo bem mesmo.

Não leve isso como auto-ajuda barata nem textão zen-namastê de facebook; é sério. Ou leve, eu não posso te impedir, mas o fato é que há pesquisas sérias confirmando que a autocompaixão te leva mais longe que a autoexigência. A Dra. Kristin Neff, da Universidade do Texas, pesquisa a autocompaixão há tempos, motivada por sua experiência pessoal. O site dela sobre autocompaixão, para quem lê inglês, tem bastante material para explorar. Em português, tem mais esse texto bem completo sobre a autocompaixão em diversos aspectos da vida, e mais esse, tradução de um artigo da própria Dra. Neff para o huffpost, junto com o vídeo de uma TEDtalk dela.

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