Numeração também é inclusão


Principal / quinta-feira, 21 de julho, 2016

Uma coisa que eu tinha bem clara na minha cabeça, quando decidi criar a Madeleines, é que: a marca tinha que ter uma gama muito ampla de tamanhos.

A maioria das marcas trabalha só com tamanhos regulares, ou, mais raramente, só tamanhos maiores. Até dentro da numeração regular muitas marcas têm pouquíssimos tamanhos. Há relatos de lojas que só têm até o tamanho 34! Mesmo na numeração maior, muitas lojas anunciam que têm plus size, e quando a cliente vai ver, a grade chega apenas até o 52 – e, frequentemente, é um 52 que mal cabe num 48. Por que as marcas fazem isso?

Há a questão da produção – quanto mais variação, de cor, tamanho ou detalhes, maior o custo unitário do produto. Muitas vão dizer que é restrição de mercado. Mesmo que dados recentes revelem que mais da metade da população do Brasil tem sobrepeso, em um ano e meio de operação percebi que, realmente, os tamanhos maiores via de regra vendem menos. Muitas vão alegar dificuldades técnicas – dificuldades que eu enfrentei, inclusive. E ainda há marcas que restringem seus tamanhos de propósito para terem uma percepção de consumo exclusiva – só gente “bonita” (e, por bonita, querem dizer “magra”) pode usar as nossas roupas. E “exclusivo” vem de “exclusão”.

E numeração é inclusão.

As pessoas têm direito ao mundo. E estar fora de qualquer padrão, hoje, te impede de muita coisa. Uma pessoa com deficiência não pode frequentar qualquer estabelecimento, porque não há acessibilidade. Uma pessoa negra tem acesso dificultado a empregos, por causa do racismo. Uma pessoa gorda pode entrar em um shopping com todo o dinheiro do mundo e não vai conseguir se vestir, porque não há nada para ela.

Inclusão deveria ser regra. Hoje é uma escolha. E eu, na medida em que posso, escolhi.

Minha grade não é perfeita. É o que eu consegui fazer, dentro das minhas limitações como modelista. E eu sempre tento melhorar. Incluir mais. Incluir sempre.

Seis barbies da coleção nova, com diferentes tons de pele e tamanhos petite, tall e curvy (baixinha, alta e curvilínea)
Até a Barbie, hoje, é razoavelmente inclusiva. Não muito. Mas é um passo.

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